Florianópolis (SC)
O fortalecimento das relações comerciais, institucionais e culturais entre Brasil e Paraguai motivou um encontro promovido pela Câmara de Comércio Brasil–Paraguai na tarde desta quinta-feira (12), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis. A iniciativa foi proposta pelo deputado Rodrigo Minotto (PDT).
O evento reuniu empresários, representantes de escritórios de advocacia e profissionais da área de comércio exterior para apresentar atividades, projetos e oportunidades voltadas à ampliação do intercâmbio econômico entre os dois países.
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Integração produtiva e oportunidades de investimento
A expansão das exportações brasileiras para o Paraguai tem sido impulsionada por acordos firmados no âmbito do Mercosul e pela Lei de Maquila, legislação paraguaia de incentivo a investimentos estrangeiros.
O modelo tem atraído indústrias brasileiras de setores como têxtil, calçadista e de autopeças, oferecendo incentivos fiscais e redução de custos de produção que podem chegar a até 40%.
Para o presidente da Câmara de Comércio Brasil–Paraguai, Roger Maciel de Oliveira, as principais oportunidades comerciais entre os dois países estão ligadas à integração produtiva, à logística estratégica e às vantagens operacionais para as empresas.
“O recorde histórico nas trocas comerciais com o Mercosul não é apenas um dado estatístico; é um sinal claro de onde o capital está buscando eficiência. No epicentro dessa movimentação, o Paraguai deixou de ser uma opção para se tornar um hub estratégico para a indústria e para serviços de alta performance”, afirmou.
Segundo ele, o processo de internacionalização exige planejamento e conhecimento do ambiente de negócios.
“Internacionalizar não é apenas cruzar a fronteira, mas compreender a arbitragem tributária e logística que o Paraguai oferece, com segurança jurídica. Ignorar essa rota em 2026 é abrir mão de margens que os concorrentes já aprenderam a capturar”, acrescentou.
Integração regional e apoio à exportação
O encontro já havia sido realizado no mês passado no Rio Grande do Sul e deverá ocorrer também no Paraná nas próximas semanas.
Atualmente, o Brasil é um dos principais parceiros comerciais do Paraguai, com expectativa de ampliação do fluxo de negócios nos próximos anos.
A programação na Alesc também contou com a participação de representantes da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), que apresentaram ferramentas e programas de apoio para empresas interessadas em iniciar ou ampliar exportações.
De acordo com o representante da ApexBrasil para a Região Sul, Igor Isquierdo Celeste, as exportações brasileiras para o Paraguai alcançaram cerca de R$ 4 bilhões.
“O desafio agora é ampliar a participação das micro e pequenas empresas, que hoje representam cerca de 40% das companhias exportadoras brasileiras”, afirmou, destacando o potencial do país vizinho para novos negócios.
Santa Catarina amplia presença no mercado paraguaio
O Paraguai também tem se consolidado como destino estratégico para empresas de Santa Catarina, atraídas por vantagens competitivas que favorecem tanto a exportação quanto a instalação de unidades produtivas no país.
Dados recentes indicam crescimento de 4,6% nas compras de produtos catarinenses entre 2025 e 2026. Entre os itens exportados pelo estado estão embalagens, materiais plásticos e componentes elétricos.
Outro fator que tem impulsionado a presença empresarial catarinense no país vizinho é a Lei de Maquila, que já levou mais de 30 empresas do estado a expandirem suas operações para o território paraguaio.
O regime permite custos de produção até 30% menores, cobrança de imposto de apenas 1% sobre o valor final da exportação e isenção na importação de máquinas e matérias-primas.
Entre os setores em expansão está o têxtil, com empresas que passaram a operar no Paraguai para ampliar competitividade no mercado internacional.
A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) também tem incentivado o fortalecimento das relações comerciais entre o estado e o país vizinho, destacando a importância da integração produtiva regional para ampliar a competitividade da indústria.
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